Toda a gente vem com uma bagagem. Experiências anteriores, velhos amores, recordações. Todos temos no nosso íntimo fotografias mentais de momentos que vivemos. Alguns assombram-nos com arrependimento, outros envolvem-nos em nostalgia.Mas o que fazer com a bagagem daqueles que estão connosco? Como gerir o modo como essa bagagem nos afecta, como ela se mete na nossa vida? Ignorar? Ferver em silêncio? Discutir?...
O passado é um fantasma universal, que não raro, afecta o presente. E como fazer quando esse passado respira, vive?
Já é tão complicado lidarmos com os nossos próprios medos, as nossas culpas... E ficamos tão vulneráveis perante os outros e as suas bagagens, por não sabermos o que elas representam realmente. Não sabemos o pensamento uns dos outros, não entramos na alma uns dos outros. E acabamos a carregar um fardo novo, uma bagagem que não nos pertence, e pesa profundamente.
Talvez não exista a acção certa, a opção mais correcta. Talvez a única opção, seja qual for a bagagem e a reacção, seja simplesmente aceitar a dor em silêncio. Já que não se pode despachar a bagagem para a China, lá bem longe.



