terça-feira, 30 de março de 2010

Bagagem

Toda a gente vem com uma bagagem. Experiências anteriores, velhos amores, recordações. Todos temos no nosso íntimo fotografias mentais de momentos que vivemos. Alguns assombram-nos com arrependimento, outros envolvem-nos em nostalgia.
Mas o que fazer com a bagagem daqueles que estão connosco? Como gerir o modo como essa bagagem nos afecta, como ela se mete na nossa vida? Ignorar? Ferver em silêncio? Discutir?...
O passado é um fantasma universal, que não raro, afecta o presente. E como fazer quando esse passado respira, vive?
Já é tão complicado lidarmos com os nossos próprios medos, as nossas culpas... E ficamos tão vulneráveis perante os outros e as suas bagagens, por não sabermos o que elas representam realmente. Não sabemos o pensamento uns dos outros, não entramos na alma uns dos outros. E acabamos a carregar um fardo novo, uma bagagem que não nos pertence, e pesa profundamente.
Talvez não exista a acção certa, a opção mais correcta. Talvez a única opção, seja qual for a bagagem e a reacção, seja simplesmente aceitar a dor em silêncio. Já que não se pode despachar a bagagem para a China, lá bem longe.

domingo, 28 de março de 2010

Saudades

Hoje fui à Toys'r'us, comprar um presente. E confesso, senti saudades de ser criança. A infinidade de brinquedos que existe hoje em dia é avassaladora, sobretudo comparando com a época em que eu brincava. A variedade de jogos, de Barbies, de carrinhos, de Playmobil, de Lego... É impressionante.
Senti saudades de ser de novo menina, e de sentir a emoção tentadora ao entrar num espaço com brinquedos (no meu tempo, era o corredor do Continente, com brinquedos dos dois lados, que nos fazia perder a cabeça em sonhos). Saudades de olhar para tudo e desejar explorar, conhecer, sem olhar ao preço. Imaginar de imediato quantas brincadeiras poderia fazer com um balde de plasticina, ou quantas peças de roupa poderia costurar para a Barbie.
Senti saudades de ter dentro de mim a criança que fui. A vida de adultos arranca-nos para a realidade depressa demais, e acredito mesmo que deixamos de saber brincar.
Mas com tanta oferta, será que as crianças de hoje ainda sabem também?
Tudo é tão fácil e abundante, que perde o valor. E daí, talvez esteja apenas com saudades de brincar com um Playmobil. Talvez compre um.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Haja pachorra e bons ouvidos...

E pronto... Eu não entendo porquê, mas eles insistem. Quem foi que disse aos putos (e adultos) dos Morangos com Açúcar que eles cantam bem??
Já por várias vezes apanhei momentos de cantilena perfeitamente perturbadores, com vozes que não deviam ir além da fala - pelo menos na televisão.

Por favor, limitem-se a tentar fazer os diálogos soarem (um bocadinho) reais, e deixem a música para quem a sabe fazer (os cantores originais das covers dolorosas que vocês fazem...).

Obrigado.