terça-feira, 27 de abril de 2010

Ânsia

Tenho uma ânsia dentro de mim. Não, não é fome. Anseio a coisa mais irónica de todas: viajar ao meu próprio mundo. Constantemente me acenam com o bilhete da viagem, troçando do meu desejo de lá me deslocar e não ser capaz de o fazer. Porquê? Nem eu sei...
Percebo dentro de mim todo um mundo a descobrir, repleto de sonhos, paisagens misteriosas e personagens fabulosas, desejosos de contar a sua história, a sua vida. No entanto, um véu tolda-me os sentidos na sua clareza, e não vejo para além de vultos, traços indefinidos dessas pessoas, do seu ser.
Sou um mundo de imensidão, de cascatas e prados verdejantes, de flores coloridas e perfumadas, e de mares profundos e calmos. Sou sol e lua, luz e sombra. Sou tempestade e trovão, sou a vida que palpita a cada segundo. Sou as gentes, novos e velhos, homens e mulheres, bons e maus. Sou as bruxas e as fadas, e sou os monstros também. Os caridosos e os assassinos, e eternos e os mortais. Sou todos, dentro de mim.
Agora, só tenho de encontrar a porta, para usar a chave e voar...

domingo, 25 de abril de 2010

Nostalgia...

Sinto saudades de quando a televisão ainda contribuía para o nosso entretenimento e sanidade mental. Lembro-me dos concursos que nos prendiam à tv aos sábados à noite, a rirmos e a gritarmos para o concorrente o que deveria fazer para ganhar o carro ou a viagem. E no dia seguinte, isso era tema de conversa, pois toda a gente tinha visto.
Lembro-me que no meu tempo de criança, a televisão era agradável. À hora do lanche, a acompanhar o pão com manteiga e a caneca de leite (nada de Phoskitos e coca-cola), um leque de desenhos animados daqueles divertidos (nada de violência e disparates de kame-ah-me-ah ou lá como raio se escreve). Era o momento do dia reservado à crianças, com o Garfield, o Tom Sawyer, a Ana dos Cabelos Ruivos e claro, outros como os Looney Tunes, e os desenhos da Disney. Não haviam 20 canais só de desenhos animados, e muito menos canais "para bebés", com manchas de cores a saltitarem ao som de música. E éramos todos felizes. Aliás, quando bebés, geralmente os nossos pais dedicavam-nos tempo em vez de nos sentar em frente à televisão a ver manchas coloridas, mas isso é assunto para um outro post...
Lembro-me de a telenovela de horário nobre dar realmente em horário nobre, das 20h às 21h, e (pasmem-se!) após esse horário começava um filme (sim, todos os dias, pasmem-se!), que acabava antes da meia-noite! Acreditem, é verdade.
E mais, TODOS os dias à tarde, havia a matiné, com filmes agradáveis e que raramente se repetiam (desculpem dizer de novo, mas pasmem-se...).
E os intervalos, aqueles espaços entre as partes de um programa de televisão em que agora parece que estamos a assistir a um outro programa, mas sobre pensos higiénicos, produtos de higiene, comida e (dependendo da hora) anúncios de "relax" por sms? Antigamente, eram PEQUENOS. Ou melhor, tinham o tamanho ideal. Uma ou outra publicidade, na qual se incluía a informação da programação do dia seguinte, e MAIS NADA. Uns 2 minutos, no máximo. Parece impossível de acreditar, não é? Pois... Eu tenho primos para quem isso é apenas um mito. Fazem parte da geração dos intervalos de meia hora.

E a programação era variada. Não víamos todos os anos o "Sozinho em Casa", versão 1, 2, 3 e sei lá mais o quê, nem sabíamos já de cor os episódios de CSI e Investigação Criminal por se repetirem de mês a mês. [Aproveitando este momento, gostaria de explicar aos senhores responsáveis pela programação que: o objectivo desse tipo de programa é cativar a pessoa a assistir ao episódio na íntegra, por não saber o fim; e é extremamente irritante que uma temporada de uma série, que terá - digamos - 18 episódios, seja exibida pela ordem que os senhores muito bem lhes apetece naquele dia. Assim, acabamos a ver o artista morrer numa perseguição, e no dia seguinte assistimos à entrada dele no primeiro dia como polícia... Eu até acredito na reencarnação, mas isso já é abusar, não lhes parece?].
E sinceramente, tenho pena das pessoas que vivem massacradas apenas pelos 4 canais básicos portugueses. A sério. É que isso ao fim de uns anos, do modo que a programação funciona, deve queimar partes cerebrais. Porquê? Muito simples, meus caros.

Manhã da televisão portuguesa:
- RTP1 - Programa em formato familiar, com dois apresentadores que fingem (às vezes bem) que gostam realmente de entrevistar o senhor José, que esculpe figuras da Nossa Senhora do Bom Despacho em beringelas e tem 132 netos que o adoram do coração; recebem pseudo-famosos/pseudo-inteligentes a opinarem da vida de todo o mundo e de uma série de coisas que não interessam nem à Nossa Senhora do Bom Despacho; números cómicos, com um ou dois actores e que não têm graça nenhuma; nem comento a música.
- SIC - Mudam os rostos e o cenário, mas... Programa em formato familiar, com dois apresentadores que fingem (às vezes bem) que gostam realmente de entrevistar o senhor José (sim, o mesmo que no dia anterior foi ao programa da RTP1), que esculpe figuras da Nossa Senhora do Bom Despacho em beringelas e tem 132 netos que o adoram do coração; recebem pseudo-famosos/pseudo-inteligentes a opinarem da vida de todo o mundo e de uma série de coisas que não interessam nem à Nossa Senhora do Bom Despacho; números cómicos, com um ou dois actores e que não têm graça nenhuma; nem comento a música.
- TVI - Exactamente o mesmo que na RTP1 e SIC, mas com uma voz mais esganiçada.

Tarde da televisão portuguesa:
- RTP1 - O mesmo que de manhã (podem mudar os rostos e cenário).
- SIC - O mesmo que de manhã (podem mudar os rostos e cenário).
- TVI - O mesmo que de manhã, mas a voz não tão esganizada, e mais imponente.

E as telenovelas? Existia uma, apenas uma, e repito, em horário nobre. Hoje em dia, o horário nobre das telenovelas começa às 18h00 e acaba às 00h30. E o mais engraçado: na TVI, os actores são sempre os mesmos. Só mudam o penteado e o sotaque de peixeirona ou "tia de Cascais". Tirando isso, continua a ser a Alexandra Lencastre. E os Morangos com Açúcar, nem comento... Apenas entro em pânico quando vou na rua e vejo uma jovem (perdido...) a imitar as modas maravilhosas que por lá aparecem...

É... Realmente, que saudades da televisão de "antigamente"... E olhem que nem foi assim há tanto tempo. A imagem até já era a cores e tudo...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Duche especial

Já tomaram um duche de antibiótico? Experimentem colocar uma gota de antibiótico no ouvido de um coelho... :)

domingo, 11 de abril de 2010

Oh Cristo...

Acabo de desperdiçar valiosos minutos da minha vida. E tudo porquê? Porque tive curiosidade em conhecer a famosa Katyzinha.

Agradeço à Bad Girl, que publicou no seu blog (que adoro e acompanho diariamente), Bad girls go everywhere, um post onde mencionava esta verdadeira relíquia da juventude delinquente e ignorante de hoje em dia.

Sinceramente, preocupa-me que actualmente os adolescentes sejam cada vez menos um exemplo de boa educação parental, e tenho uma séria desconfiança de que os putos de agora só usam metade da capacidade cerebral (estou a ser optimista, eu sei). É que só assim se justifica que uma só pessoa seja tão bronca, sem grande esforço.

Pior: ser-se bronco, e aclamado por todos os outros aspirantes a broncos.

Nos vídeos da jovem, um no qual (pasmem-se) demonstra o desperdício que é comparecer a uma aula de Português (pudera... ela mal sabe falar com variedade de vocabulário, quanto mais fazê-lo correctamente... ali, só perde tempo); e outros em que, vá-se lá saber porquê, resolveu filmar-se a si própria, em casa, a falar de moda [cof cof] e dos amores da sua (longa e experiente??) vida. Sim, que em 18 anos de vida, já se tem imenso que contar e ensinar aos outros, né?

Quanto às opiniões manifestadas, tenho apenas a dizer o seguinte: acho que mais engraçado do que uma gaja ter vergonha de usar ále-stáres [isso, dito com um sotaque bem à puorto, caragu], é ter o bom gosto de se colocar na Internet em pijama (ou roupão) às estrelinhas e o cabelo oxigenado e como se não visse uma escova há dois anos (lá se vão 2 anos de ampla experiência de vida)... Ou ter tanto cuidado com a forma de falar como na quantidade de vezes em que repete a mesma coisa... E esperar vários minutos para que a "caixa córnica" (a Biologia actual é incrível) desenvolva a parte cerebral responsável pela linguagem para fazer sair da boca uma ou outra palavra (e muitos «hãaaaaaa»). Já os palavrões, desenrolam-se em metade do tempo, pasmem-se novamente.

Confesso... Não aguentei ver o vídeo até ao fim. Estava com uma grande vontade de esbofetear o monitor, na esperança de que, por um qualquer motivo cósmico, acabasse por lhe acertar em pensamento. Mas o meu monitor é novo. E os monitores são caros. Ou como ela diria, "caros pa ca#$%lho".

Realmente, para perceber o que está errado nesta criatura nem é preciso ser bad... Basta ter cérebro. Pois.

Clube da Comédia

Ontem ri-me IMENSO. Presente do meu garoto, fui ver o Clube da Comédia, no Coliseu do Porto. E deixem que vos diga, foi muiiiiiiiiiiiiito engraçado! Primeiro inundou-me a estranha sensação de ver aqueles comediantes já tão meus conhecidos, mas habituada a vê-los dentro de uma caixa com botões. E desta vez, estavam ali, ao vivo. Acreditem, é estranho.
Os nomes presentes são conhecidos de todos, Eduardo Madeira, Francisco Menezes, Bruno Nogueira, Óscar Branco, Nilton e Aldo Lima. Estava especialmente interessada em ver o Bruno Nogueira, que era o meu favorito no Levanta-te e Ri, e deixem que vos diga... Ele é hilariante.
O Eduardo Madeira tem piada por ter sempre aquela postura de tótó, como quem não sabe muito bem o que está a fazer naquele palco. A fita da guitarra que ele usou estava sempre a desapertar-se, até que a guitarra caiu mesmo ao chão. Risada total. "Nada mau, geralmente acontece-me com as calças", brincou ele. Risada total. Fica uma de que me lembro:
Eduardo Madeira: "Eu nasci na Guiné... Quem vai à praia de nudismo que eu frequento sabe que é verdade... Até estão aqui duas raparigas que me viram lá e tiraram-me uma foto... Mas teve de ser panorâmica, para caber tudo...". RISOS.
O Francisco Menezes deixou-me embasbacada com a voz. Claro que, como sempre, cantou vários pedaços de músicas, mas com mestria. Se não fosse comediante/apresentador de TV, poderia muito bem tentar a vida como cantor.
Francisco Menezes: "A Floribella está no quarto, a chorar porque gosta muito de criancinhas... Por isso é que namora com o Djaló... Ele entra, e ela pergunta «Ó Djá-ló, o que é que tens pra minhe esta nuoite?». Começa a música [porno], e ele diz «Chocolate en tu boquita»."

O Bruno Nogueira, que AMEI, dá vontade de dobrar em três (como os lençóis) e levar para casa. Com aquela figura de puto magro que foi esticado e cresceu demais, é o suficiente para me fazer rir. A forma descontraída como diz as piadas, sempre sério e como se não tivesse dito nada, é hilariante.
Bruno Nogueira: "Trouxe aqui uma notícia que me espantou... Li numa marca de acendalhas muito boa... Chamada «24 Horas»... - RISOS e APLAUSOS - Diz assim: «Violador de Telheiras foi concorrente do 1,2,3»...". Evidentemente, RISOS e RISOS.
A meu ver, o Óscar Branco foi o que me conquistou menos. E teve uma má escolha, quando começou o número a falar mal do Jorge Nuno Pinto da Costa e do FCP... Isto no Porto... Hum... Pois.
Óscar Branco: "Em Portugal não é preciso terroristas... Os portugueses dão cabo do país todo sozinhos."
O Nilton começou em grande. Entrou, hiper pequenino (quase podia jurar que ele por pouco escapou de ser anão), e com aquele ar intelectual, olha o público. "Eu amo você." RISOS e APLAUSOS em toda a sala.
Teve várias tiradas com piada, apesar de que como fala um pouco rápido, havia algumas coisas que passavam imperceptíveis.
Nilton: "Na música «Indo eu, indo eu, a caminho de Viseu, encontrei o meu amor, ao Jesus que lá vou eu», na verdade ela ia na estrada, a acelerar, encontrou o amor dela, que é a Brigada da GNR - RISOS - e como não tinha documentos nem nada, lá teve de ir para a mata pagar a multa... Como é que eu sei o que veio a seguir? É fácil... o resto da música é «Ora zus-trus-trus, ora zás-trás-trás, ora chega chega chega, ora afasta lá para trás»." MEGA RISOS.
O Aldo Lima lembrou-me muito o Bruno Nogueira, pela postura. Alto, magro, aquele ar sério a dizer as piadas enquanto toda a gente se descasca a rir. Muito bom também, foi o meu segundo favorito.
Aldo Lima: "Agora está na moda o SPA... Antigamente, SPA era chegar a casa e deitar no sofá. Agora, é deitar numa sala, apagam as luzes, acendem três paus de incenso e umas velas, põem um CD das baleias, três calhaus em cima do lombo, e dizem ao ouvido «Agora, relaxe... No fim fazemos contas.»... E para isto, damos 150 euros.".

Em suma, foi uma bela noite, com duas horas de riso e diversão. A todos eles, parabéns! Continuem a fazer-nos rir, só faz bem.