quarta-feira, 5 de maio de 2010

Um ponto no Universo

Sinto-me um mero ponto perdido no vasto Universo. No meio de muitos outros pontos, uns ligados a mim pelo sangue, outros pela afinidade, outros pelo conflito. Muitos desconhecidos... E no entanto, sinto-me sozinha na imensidão.
É tão volátil e efémera a felicidade, no encontro momentâneo de pontos, que pouco serve de alimento à esperança de um novo dia, melhor do que o de hoje. E nunca sabemos o que esperar. E quanto mais se espera... Mais vem a desilusão.
Vejo-os passar, os outros pontos, nos seus afazeres e desejos. Permaneço parada, a observar, enquanto as manchas-borrão circulam rapidamente, numa faixa de tempo distinta daquela em que respiro. O meu olhar já nem sequer as acompanha, desisti de lançar laços de mim em busca de uma ligação real. Na verdade, poucos foram os laços que se estenderam.
Provavelmente, não sei comunicar. Cada ponto vive no mesmo espaço, fala a sua própria língua, e fingem compreender-se. Mas na verdade, cada um capta no seu próprio código egoísta, e julga, cataloga e aceita ou descrimina mediante os seus próprios padrões.
É tão difícil viver no meio de pontos. Pior mesmo, só ser um ponto também.

1 comentários:

Yamamura Sadako disse...

Como a luz do farol que alumia o caminho pelo nevoeiro, “Um ponto no Universo” descreve na perfeição o segregacionismo dos estereótipos humanos.

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