segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ensaio Sobre a Cegueira - O Filme

Ontem vi, finalmente, o filme que mais ânsia me despertou no último ano, "Ensaio Sobre a Cegueira". Já aqui tinha falado a respeito do livro, e do modo como me deixou completamente apaixonada, e não podia deixar de referir algo acerca do filme.
Posso dizer-vos que retrata na perfeição o livro. É forte, sim. As imagens não ferem tanto como as palavras, não chocam do mesmo modo frio e cru, mas está fabuloso. O realizador, Fernando Meirelles, fez um trabalho estupendo, passando a mensagem de modo fiel e arrebatador.
Assim que terminei de ver o filme, senti vontade de o ver de novo. De devorar novamente cada detalhe, agora com mais calma, sem ter os sentidos algo toldados pela ânsia.
E vou vê-lo, em breve.

Não desaconselho a leitura do livro (sou viciada em livros), mas é fundamental ver o filme também.

Note-se que este filme causou polémica na América, por ter como base a cegueira. Claro que aqueles que o descriminaram são precisamente o tipo de cegos de que a história fala.
O livro não é sobre a doença que torna os olhos humanos cegos, e de modo algum pretende enxovalhar as pessoas que são cegas. A história de José Saramago fala de uma modo metafórico, do quão cega a humanidade é. De como os nossos instintos estão latentes em nós, e em caso de falha, de crise, manifestam-se de forma avassaladora. Deixamos de ser humanos. Deixamos de considerar os outros humanos. Devoramo-nos uns aos outros, no egoísmo, na confusão, no degredo.

A história relata o que aconteceria à Humanidade se subitamente um surto de cegueira atingisse todos. Não uma cegueira normal, mas uma cegueira que "mergulha" a pessoa num mar branco, de luz, e para o qual não há explicação. E acreditem, quando lemos o livro ou vemos o filme, se formos honestos connosco mesmos, admitimos que se tal coisa acontecesse na realidade, era mesmo daquele modo que tudo se ia passar...

Abala os nossos conceitos, o nosso modo de ver o mundo. Para mim, um dos livros mais geniais de todos os tempos. E o filme não lhe fica atrás.
A Julianne Moore está fantástica no filme, e o restante elenco também.

O próprio Saramago chorou ao ver o filme, murmurando para o realizador: "Fernando... Sinto-me muito feliz de ver este filme... Tanto quanto senti quando escrevi o livro."

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara." - Livro dos Conselhos


Sinto-me: Arrebatada

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