sexta-feira, 23 de julho de 2010

Há manhãs que prometem...

Ela ia a caminho do trabalho. Mais uma manhã como qualquer outra, cansada, com sono, e sem vontade de nada.
Pára num semáforo, enquanto conversa de modo distraído para preencher o vazio sonoro dentro do carro. Conversa de circunstância, talvez.

Primeiro momento flash: Do lado esquerdo da rua, pelo passeio, dois jovens caminham. Pelas mochilas às costas, certamente vão para a escola, que fica ali mesmo ao pé. Subitamente, um deles pára, numa posição estranha, como se tivesse sido agarrado. De facto, os seus maravilhosos cabelos "ninho de rato" tinham ficado presos a um ramo um pouco mais longo da sebe que acompanhava o muro.... Risos... Ele lá conseguiu finalmente soltar o cabelo, e o amigo, numa atitude protectora tentou - TENTOU, note-se - chutar o ramo, ao qual nem sequer conseguiu tocar com a pontinha do dedinho. E lá seguiram felizes, um mais consciente de ter pernas curtas, e o outro com uma decoração nova no "cabelo".

Segundo momento flash: Num semáforo [parece que hoje os semáforos estão inspiradores], continuando a conversa, mas sobre animais e não a treta de circunstância, eis que ela nota algo que se move no passeio. Algo que se move e desce o passeio, num movimento que não se assemelha em nada a mero lixo arrastado pelo vento. O "algo" continua a mover-se. E quando olha, fica em êxtase: um mini ratinho, que mais parecia uma salsichinha de aperitivo, castanhinho e ultra fofo, estava na estrada. Preocupação: geralmente um semáforo implica carros a circular, mais cedo ou mais tarde...
Foi com receio que viu o ratinho esconder-se debaixo do carro da frente, e subitamente passar para a faixa do lado, para junto do pneu de um jipe. Na cabeça dela, o pânico começou a atormentar, com medo de ver o pequenino a ser passado a ferro... Via-o dar umas voltas, e voltar sempre para junto da roda... Na esperança de o ver atravessar a terceira faixa e ficar em segurança do outro lado.
Acabou por ter de andar, e quando saiu do carro (mais à frente), foi inspeccionar as faixas. Não estava lá nada. Pediu a Deus que tivesse permitido à pequena criatura salvar-se em segurança.

Sim, estava mais preocupada com o ratinho do que com o rapaz. A ele bastava-lhe um corte de cabelo de gente. Ao ratinho era necessário um salvador...

O dia promete...

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