segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Perdas

Ao longo da vida, como é natural, são muitas as perdas com as quais temos de lidar. Perder algo não é propriamente fácil, e muitas vezes uma perda é desvalorizada por aqueles que nos rodeiam.
A nossa reacção a uma perda está directamente associada ao grau de apego que tínhamos àquilo que perdemos, independentemente de ser a perda de algo palpável ou não, vivo ou não.
Podemos não sentir um abalo muito grande com a morte de uma pessoa que vivesse na nossa rua e a quem dizíamos "bom dia" todos os dias, e sentir terrivelmente o roubo de um relógio de bolso que nos fora dado pelo nosso avô.
O ser humano gere-se assim pelo valor emocional que as coisas têm para ele. E por isso, não podemos nunca julgar o nível de dor que uma dada pessoa manifesta com a perda de algo. Não podemos julgar aquele que não chora perante a morte de um familiar, mas fica abalado pela perda de um objecto. Cada coisa tem o seu valor emocional, o seu grau de importância para nós.

As perdas podem ser de vários tipos, como já referi a perda de alguém pela sua morte, por exemplo. Mas podemos aqui incluir a perda de objectos ou bens materiais que tenham uma relevância para nós pelo seu valor sentimental; a perda de um emprego; a perda de estatuto; a perda da saúde; uma separação; entre outros exemplos...
A psicologia fala-nos da perda como algo que implica de nós um processo de luto, sendo fundamental para o nosso restabelecimento a passagem por todas as suas fases. Achamos, geralmente, que o luto diz respeito somente à morte humana, mas na verdade não é assim. A perda do emprego ou de um bem podem exigir de nós o nosso luto.
O luto é composto por três fases:
1. Choque, seguido de negação;
2. Revolta e confusão;
3. Aceitação e reestruturação

À semelhança de uma ponte, precisa ser atravessado em toda a sua extensão (que irá variar de pessoa para pessoa), até esgotar-se. E aí, quando todas as emoções foram arrumadas, ficamos melhor.

Não, não perdi nada nem ninguém neste momento. Mas conheço quem tenha perdido recentemente um importante membro do núcleo familiar. Muitos dirão "era apenas um gato". Mas eu compreendo a dor. Era um amigo.

Tiquinho, tu vives sempre.

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