"Põe-te em primeiro lugar. Cuida de ti primeiro, preocupa-te mais contigo e menos com os outros, pois mais ninguém o fará."
Esta afirmação é-nos incutida no sentido de nos protegermos. Protegermos dos desafios que a vida nos impõe, mas sobretudo, proteger-nos das próprias pessoas, com quem somos obrigados a conviver ao longo dos anos. Devemos pôr-nos em primeiro lugar, para garantirmos que não somos calcados, e que mantemos a nossa sanidade, mesmo quando alguém em quem confiamos nos magoa e se revela bem diferente do que aquilo que julgávamos conhecer.
Mas colocar-nos em primeiro lugar, implica criarmos uma muralha, algo forte que impeça as acções dos outros de nos tocarem. E quando a muralha é boa, ficamos impermeáveis, ou até mesmo, insensíveis. Nada nos fere, nada nos abala. Mas também nada nos toca. Deixamos de sentir a dor, mas fica difícil também acreditar na alegria, pois estamos numa muralha forte por demais.
E depois:
"Não sejas egoísta! Deves preocupar-te com os outros, importar-te com o bem estar deles e ajudar."
Bolas. Afinal, em que ficamos? Devemos ser sensíveis à dor alheia, ajudar conforme podemos, preocupar-nos que os outros estejam bem. Devemos estender a mão, dar a palavra amiga, o abraço. Devemos confiar que as pessoas têm boas intenções, confiar que há pessoas boas.
Devemos abrir o coração ao universo, e deixá-lo entrar, junto com as pessoas que dele fazem parte. Devemos ter grupos de amigos, dar-nos com a família, ser cordiais com todos. Abrir a nossa vida para esses elementos, e preocupar-nos com eles.
Mas afinal, isso não nos torna vulneráveis, e voltamos à situação referida acima?
Como fazer o equilíbrio?Como preocupar-nos o suficiente com os outros, sem no entanto os deixarmos entrar na nossa vida ao ponto de nos magoarem quando se revelam pouco preocupados connosco?
Como acreditar que há pessoas boas, se não raro, essas pessoas nos desiludem? Baixar as nossas expectativas? Não esperar nada? Mas isso não é criar uma muralha...?
Puxa... A vida é mesmo complicada. E o ser humano então...
Sinto-me: Em balanços.