quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Despedida

Cansei-me de ti. De tantas esperanças, tantas desilusões, tantas tristezas. Cansei-me de acreditar que podias ser algo bom para mim, ajudar-me a ser feliz. Iludiste-me, para sempre ferir, quebrar, calcar.

Não te quero mais, estou cansada de esperar que mudes. De esperar que despertes.

Por isso, fecho-te numa caixa. Onde fiques contido, incapaz de continuar a magoar, a ferir. Onde não mais a tua presença se faça sentir, até que sejas somente uma vaga memória de teres existido. Onde chegue ao ponto de não ser mais de ti.

Adeus, meu Infame Coração.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Becky


Ainda bem que existes, Becky. Ainda bem.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Lidar com a morte conscientemente

Hoje, pela segunda vez, lidei com a morte na aula prática do hospital. Hoje, de uma forma mais próxima e mais activa.

Não foi fácil... Confesso que lutei contra as lágrimas, e me obriguei a racionalizar toda a situação.

O choque veio pelo simples facto de estar a segurar um animal, pensando que iria ajudar no seu tratamento, e depois ouvir dizer "é para eutanasiar". No referido caso, era uma situação de doença que já se tentara tratar e não tinha solução, e dada a gravidade, não havia escolha.

Primeiro tive vontade de fugir, de chorar por aquele ser à minha frente, que eu sabia estar vivo naquele momento, e ignorando que, dali a minutos, não mais viveria naquele corpo.
Fiquei. Imaginei-me no lugar dele, prestes a terminar a vida, e estar só.
Fiquei. Imaginei-me a sentir no fim, e não ver ninguém conhecido.
Fiquei. Imaginei-me a morrer de modo que não compreendesse, sem a companhia dos meus entes amados.

Quis confortá-lo de algum modo. Ele pareceu sentir isso. Toquei-lhe na cabeça, fazendo um carinho e lutando contra o enorme conflito dentro de mim, e quando ele baixou a cabeça e a pousou suavemente na minha outra mão, deitando-se, percebi que estava no lugar e momento em que era necessária.
Dali em diante, mantive a minha mão sob aquele queixo tranquilo, ao mesmo tempo que acariciava a cabeça dele com a outra mão. Tentei com todas as forças transmitir-lhe tranquilidade e confiança, mas sobretudo, muito amor. Queria que aquele animal, prestes a terminar a sua viagem, sentisse que não estava só.

Colocado o catéter, também a pata foi repousada na mão onde já estava a cabeça. E assim o segurei, enquanto o medicamento fatal era administrado. Dupliquei a dose de amor, sussurrando-lhe ao ouvido "está tudo bem, querida...".

Senti-a estremecer ligeiramente, e pouco depois, foi auscultada. Só algum tempo depois de ouvir que o coração tinha parado é que parei de lhe acariciar a cabeça macia. Mas mantive-a em repouso na minha mão até estar dentro do saco para ser cremada.

Apesar da frieza que a situação exige, senti-me feliz por, pelo menos, ter contribuído de algum modo. Resta-me apenas dizer-lhe agora, a essa estrelinha, "És e serás sempre linda..."...

Que um anjo te cuide e oriente.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Agarrada

Não tem esperança de sucesso, mas agarra-se com todas as suas forças. Não sabe o que a espera, já teve mais certezas do que as que tem. Na verdade, agora não tem nenhuma.
No pensamento, vê o eco de recordações que parecem palpitar a cada batida do coração velho e gasto, lembrando-a de que já foi feliz outrora. E com as imagens, a dor. Da alma, do corpo. Tudo dói, na percepção do Passado. O Presente é frágil, e segura-o sem saber o que lhe fazer. E o Futuro... Não sabe onde se esconde.

Quer gritar sem medos, sem pudor. Bradar aos céus toda a raiva e toda a revolta que a consomem por dentro. Todo o inconformar. A vida não pode ser só isto. Não pode. Se assim for... Mais vale abrir os dedos e largar o que resta, para sempre...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Renovação

Mudarmo-nos é bom. Faz-nos crescer, liberta-nos das coisas do Passado ou Presente que nos magoam ou nos impedem de sermos felizes.
Mudar não é fácil. Exige de nós um esforço e capacidade que nem sempre temos, e por vezes custa a destruição de partes de nós, o que nos torna amargos e desacreditados de que a vida pode ser feliz.
Uma mudança de ideias, de sentimentos, de esperanças é um trabalho duro.

E é por isso que começo pela mudança mais fácil. A exterior. Pintei o cabelo, já me sinto mais perto do que um dia fui. Quem sabe isto não impulsione a outra mudança, a verdadeiramente importante...


Sinto-me: No casulo da transformação.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Puf...

Finalmente, o dia chega ao fim... Já na cama, estou exausta, após um dia em constante andamento.

Mas tranquila... Sempre há dias em que as emoções e sentimentos não nos moem o juízo, que quando acontece, queremos aproveitar a paz dissimulada ao máximo. Pelo menos, até que a tempestade volte... Porque enquanto as coisas não morrem... Matam-nos.

O tempo há-de curar-me. E até lá, uma noite de sono o fingirá fazer.


Sinto-me: Cheia de sono

sábado, 1 de janeiro de 2011

Equilíbrios

"Põe-te em primeiro lugar. Cuida de ti primeiro, preocupa-te mais contigo e menos com os outros, pois mais ninguém o fará."

Esta afirmação é-nos incutida no sentido de nos protegermos. Protegermos dos desafios que a vida nos impõe, mas sobretudo, proteger-nos das próprias pessoas, com quem somos obrigados a conviver ao longo dos anos. Devemos pôr-nos em primeiro lugar, para garantirmos que não somos calcados, e que mantemos a nossa sanidade, mesmo quando alguém em quem confiamos nos magoa e se revela bem diferente do que aquilo que julgávamos conhecer.
Mas colocar-nos em primeiro lugar, implica criarmos uma muralha, algo forte que impeça as acções dos outros de nos tocarem. E quando a muralha é boa, ficamos impermeáveis, ou até mesmo, insensíveis. Nada nos fere, nada nos abala. Mas também nada nos toca. Deixamos de sentir a dor, mas fica difícil também acreditar na alegria, pois estamos numa muralha forte por demais.

E depois:

"Não sejas egoísta! Deves preocupar-te com os outros, importar-te com o bem estar deles e ajudar."

Bolas. Afinal, em que ficamos? Devemos ser sensíveis à dor alheia, ajudar conforme podemos, preocupar-nos que os outros estejam bem. Devemos estender a mão, dar a palavra amiga, o abraço. Devemos confiar que as pessoas têm boas intenções, confiar que há pessoas boas.
Devemos abrir o coração ao universo, e deixá-lo entrar, junto com as pessoas que dele fazem parte. Devemos ter grupos de amigos, dar-nos com a família, ser cordiais com todos. Abrir a nossa vida para esses elementos, e preocupar-nos com eles.
Mas afinal, isso não nos torna vulneráveis, e voltamos à situação referida acima?

Como fazer o equilíbrio?
Como preocupar-nos o suficiente com os outros, sem no entanto os deixarmos entrar na nossa vida ao ponto de nos magoarem quando se revelam pouco preocupados connosco?
Como acreditar que há pessoas boas, se não raro, essas pessoas nos desiludem? Baixar as nossas expectativas? Não esperar nada? Mas isso não é criar uma muralha...?

Puxa... A vida é mesmo complicada. E o ser humano então...


Sinto-me: Em balanços.