domingo, 29 de maio de 2011

Vazia

As palavras foram claras:
- Ela não tem coração.
No lugar dele, uma pedra inerte jaz, no que outrora terá sido uma fábrica de emoções e sentimentos. Hoje, nada além do frio existe, nada mais do que a indiferença e a incapacidade de sentir.
É uma caixa vazia, que simula vida, mas cuja vida, na verdade, há muito abandonou.
Tristeza por isso? Não... A vida é assim, um representar, um aguardar o último suspiro.


23.04.2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quem magoa um sinal, leva uma vacina...

Esta "aventura" começou ontem.
Após o almoço, ainda a placa do fogão estava quente, e a Tigreza (Titi, para os amigos), estava a pedir-me comida (apesar de já lhe ter dado húmidos, duas vezes, para ela me deixar almoçar sossegada).
Resolvi dar-lhe um biscoito, e fui até ao balcão. Contrariamente ao costume, ela resolve subir para o balcão ainda longe de mim, e começa a caminhar na minha direcção. Pelo caminho, passou por cima da placa do fogão (coisa que nunca fez, pois sente o calor dos discos), e não fui a tempo de fazer nada.
Quando ela sentiu que uma das patas pousou no disco, saltou balcão fora e fugiu.
Lá pegamos nela, para mergulhar um bocadinho a patinha em água fresca. Ela no meu colo, a minha mãe com uma tigelinha com água. Deixou mergulhar a pata. Ficou uns segundos. E de repente, viu o fogão, e disparou do meu colo para fora, usando-me como rampa de lançamento.
Resultado: Um arranhão no peito, um arranhão no braço, vários arranhões no ombro.
Problema: no ombro apanhou-me um sinal saliente. Umas horas depois, vejo que o sinal estava pendurado por um fio...
Excelente.

Hoje, resolvi então ir ao posto de saúde,  para ver se a enfermeira podia ver o que se deveria fazer com o "sinal pendurado".
Surpresa: Assim que entro na sala de enfermagem e me identifico, a enfermeira diz "Tem as vacinas em atraso."
"Oh, não...", pensei eu.
- Pois tenho. - respondi. - Há uns 15 anos. - Ainda fui corajosa.
- Na verdade, há quase 20. - Responde ela, sem se deixar apiedar pelo meu ar desajeitado. - Vai tomar hoje. Tem o boletim de vacinas?
- Não. - Digo eu, na esperança de adiar o sacrifício mais umas semanas.
- Não faz mal. Toma hoje na mesma, e depois traz, para actualizar.
"Raios!", pensei. Mas sorri, e disse:
- Está bem.
Quando ela viu o sinal, felizmente não achou nada de grave. Tentou arrancar o fio com o uso do penso que eu tinha posto (não foi lá muito simpático), e depois lá se decidiu a fazer diferente. E foi buscar a tesoura. Sim, tesoura. CORTARAM-ME um sinal, com TESOURA. Se senti? Sim. Se foi suportável? Sim, não morri. Aliás, a circulação naquele bocadinho de carne já nem devia existir, pois nem sangue deitou.
Lá pôs umas compressas para proteger e a roupa não magoar, e depois lembrou-se:
- Agora, vamos à vacina.
"Raios partam a memória da enfermeira..."
Decidi não pensar. Aquele braço não seria meu, seria de borracha. É isso, borracha. Borracha é mole, não dói. Como o cão que usamos no HVP, para fingir que fazemos pensos.
A estagiária (penso eu), preparou a vacina, e antes de espetar, avisou que ia sentir uma "piquinha". Pois sim. Uma agulha de adulto, é uma PICA.
Senti, claro. Não me mexi, deixei o braço bem mole e solto. A dor por ter algo espetado na carne fez-se sentir um pouco, como é normal, e finalmente, a agulha saiu. Recebi as recomendações para a vermelhidão ou "caroço". Agradeci e saí. O braço ainda doía, tinha uma sensação estranha de algo a espalhar-se lá dentro.
"Afinal, não é tão mau como ouço tantos ADULTOS a dizerem.", pensei. "Piegas".


Sinto-me: Vacinada e mais leve (menos um sinal).

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Salto no Abismo

Dou um salto para o abismo sem pensar.
Preencho o vazio, ou ele preenche-me.
Já nem sei.
Fecho os olhos, para abri-los em seguida de rompante.
Quero ver tudo. Mesmo que por um momento final,
Quero sentir.
O meu corpo perde-se na gravidade,
E o tempo torna-se ausente.
Ausência. Vazio. Solidão.
O pensamento estrangula-me,
E uma lágrima salta-me do canto do olho.
Custa respirar, engulo a vida toda numa só queda, sem mastigar.
E sou mastigada, pela ausência, pelo vazio, pela solidão.
Não sei porque aprendi tantas palavras fortes,
Se agora já nem consigo falar.
E sinto o abraço do nada libertar-me dos seus braços castradores.
E caio.
Caio.
Flutuo na vertical.
Sou uma pena e um peso.
O claro e o escuro.
Dia e noite, água e fogo.
Sou Yin e Yang.
Sou Uno.
Sou.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

As mulheres e a maquilhagem

Acredito e compreendo que vocês, homens, fiquem extasiados e em pânico ao verem a quantidade de maquilhagem que geralmente uma mulher tem. Acredito também que metade das coisas que para nós são básicas num kit de maquilhagem, para vocês são um verdadeiro mistério.
- Para que serve esta tesoura com ponta tipo pinça curva?
- O que faz um corrector?
- Porque existem tantos tipos de eyeliner?

Pois é... Meus caros, acredito que a necessidade de maquilhagem já está nos nossos genes. A sério. Associada directamente à nossa necessidade de nos sentirmos bonitas, de nos sentirmos bem. É certo que a perfeição que tanto perseguimos é ditada pelos padrões cada vez mais rigorosos e irreais (photoshop só funciona virtualmente) que nos rodeiam. Somos pressionadas diariamente a competir com as bonitonas que estão nas revistas, nos cartazes, na tv. Aquelas que se não levam com photoshop directo, têm personal trainers a massacrá-las diariamente para terem aquele corpo saudável, comem o bom e o melhor para a linha, têm os melhores cabeleireiros e, aí está a dita cuja, os melhores maquilhadores. Daqueles que não têm dúvidas para que serve a desgraçada da tesoura com ponta tipo pinça curva.

Temos por isso a necessidade de procurar em toda a parafernália de produtos com que somos tentadas pela promessa da tal perfeição, aqueles que melhor destacam as nossas características positivas. E se isso incluir uma colecção de 10 batons (com gloss, sem gloss, de tons fortes, primaveris ou discretos), 50 tons de sombras de olhos (em pó, em creme, com brilho e sem), 5 opções de blush (para quando estamos morenas ou quando estamos no Inverno), diversos tipos de rímel, eyeliner, lápis dos olhos, base, corrector, etc.... Então é isso que teremos na nossa bolsa da maquilhagem.

Ah, e a tesoura com ponta tipo pinça curva serve para formar melhor a curvatura das pestanas, para termos um pestanejar à Marilyn Monroe, irresistível...

E tudo porquê? Porque depois de uma hora de produção, de escolha e combinação de tons, nós no fundo só queremos que vocês nos digam com um sorriso "Estás muito bonita hoje...".

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Hum...

Eu sei que não tenho dado grande atenção aqui... Mas às vezes há fases em que o silêncio é a única e melhor coisa que temos para dar.
Shhhhh.