quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quem magoa um sinal, leva uma vacina...

Esta "aventura" começou ontem.
Após o almoço, ainda a placa do fogão estava quente, e a Tigreza (Titi, para os amigos), estava a pedir-me comida (apesar de já lhe ter dado húmidos, duas vezes, para ela me deixar almoçar sossegada).
Resolvi dar-lhe um biscoito, e fui até ao balcão. Contrariamente ao costume, ela resolve subir para o balcão ainda longe de mim, e começa a caminhar na minha direcção. Pelo caminho, passou por cima da placa do fogão (coisa que nunca fez, pois sente o calor dos discos), e não fui a tempo de fazer nada.
Quando ela sentiu que uma das patas pousou no disco, saltou balcão fora e fugiu.
Lá pegamos nela, para mergulhar um bocadinho a patinha em água fresca. Ela no meu colo, a minha mãe com uma tigelinha com água. Deixou mergulhar a pata. Ficou uns segundos. E de repente, viu o fogão, e disparou do meu colo para fora, usando-me como rampa de lançamento.
Resultado: Um arranhão no peito, um arranhão no braço, vários arranhões no ombro.
Problema: no ombro apanhou-me um sinal saliente. Umas horas depois, vejo que o sinal estava pendurado por um fio...
Excelente.

Hoje, resolvi então ir ao posto de saúde,  para ver se a enfermeira podia ver o que se deveria fazer com o "sinal pendurado".
Surpresa: Assim que entro na sala de enfermagem e me identifico, a enfermeira diz "Tem as vacinas em atraso."
"Oh, não...", pensei eu.
- Pois tenho. - respondi. - Há uns 15 anos. - Ainda fui corajosa.
- Na verdade, há quase 20. - Responde ela, sem se deixar apiedar pelo meu ar desajeitado. - Vai tomar hoje. Tem o boletim de vacinas?
- Não. - Digo eu, na esperança de adiar o sacrifício mais umas semanas.
- Não faz mal. Toma hoje na mesma, e depois traz, para actualizar.
"Raios!", pensei. Mas sorri, e disse:
- Está bem.
Quando ela viu o sinal, felizmente não achou nada de grave. Tentou arrancar o fio com o uso do penso que eu tinha posto (não foi lá muito simpático), e depois lá se decidiu a fazer diferente. E foi buscar a tesoura. Sim, tesoura. CORTARAM-ME um sinal, com TESOURA. Se senti? Sim. Se foi suportável? Sim, não morri. Aliás, a circulação naquele bocadinho de carne já nem devia existir, pois nem sangue deitou.
Lá pôs umas compressas para proteger e a roupa não magoar, e depois lembrou-se:
- Agora, vamos à vacina.
"Raios partam a memória da enfermeira..."
Decidi não pensar. Aquele braço não seria meu, seria de borracha. É isso, borracha. Borracha é mole, não dói. Como o cão que usamos no HVP, para fingir que fazemos pensos.
A estagiária (penso eu), preparou a vacina, e antes de espetar, avisou que ia sentir uma "piquinha". Pois sim. Uma agulha de adulto, é uma PICA.
Senti, claro. Não me mexi, deixei o braço bem mole e solto. A dor por ter algo espetado na carne fez-se sentir um pouco, como é normal, e finalmente, a agulha saiu. Recebi as recomendações para a vermelhidão ou "caroço". Agradeci e saí. O braço ainda doía, tinha uma sensação estranha de algo a espalhar-se lá dentro.
"Afinal, não é tão mau como ouço tantos ADULTOS a dizerem.", pensei. "Piegas".


Sinto-me: Vacinada e mais leve (menos um sinal).

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