Todos os dias, ela sobe ao palco, num movimento fingindo natural.
Entra num mundo real como uma personagem, e deixa de ser ela.
Sorri, fala. Simula alegria e força, tão bem que ninguém dá pela fragilidade de fingir ser feliz.
Tem um coração de vidro, eternamente quebrado pelo fracasso, pela dor.
Tem um coração de pedra, infinitamente endurecido pela tristeza, pelo desamor.
E dança, no palco que a obriga a actuar, como se ainda escutasse a música. Mas a única coisa no seu pensamento, é o cair do pano no fim, e o silêncio de jamais ser feliz.







